Há muitos meses atrás o DJ, Produtor e MC Alex Rey Hunt (pessoa pela qual tenho grande estima) me procurou, juntamente com o Antônio Carlos, buscando minha opinião sobre o assunto e se haveria algo que eu pudesse adicionar, a título de contribuição, ao projeto de lei que busca a regulamentação da profissão DJ.
Eu, que fui DJ por 15 anos e vivi minha vida toda em função do business que gira em torno da música, logo percebi uma maneira de finalmente trazer para o DJ e Produtor de e-music no Brasil benefícios que nossos colegas estrangeiros já possuem há muito tempo.
Sentei-me com eles e a advogada constituída para a elaboração do que seria o Estatuto do DJ e, numa única reunião foi escrita a primeira versão do estatuto (ou lei que regulamenta a profissão). Quero deixar claro que minha participação foi insistir numa lauda de direito autoral sobre a qual pretendo explanar, em momento posterior.
Meses se passaram e agora percebo que algo está para acontecer.
São blogs, depoimentos, críticas e até debate em televisão com participação de senador ao vivo em rede nacional!
Acho que chegamos a um ponto de discussão em torno deste assunto que me faz acreditar ser este o momento da verdade – ou pelo menos da percepção, ainda que tardia, de uma necessidade maior.
Estou falando de responsabilidade.
Não da responsabilidade associada à maturidade pessoal.
Estou falando de assumir o pacote todo.
Quem já sentiu a sensação de poder nas mãos sabe do que eu estou falando.
Vou tomar minha experiiencia pessoal e a de muitos colegas a amigos de profissão.
Talvez nem todos tenham passado por esta sensação.
Eu torço para que sim, nem que por algumas noites apenas.
Todos nós DJ’s, que atuamos na linha de frente, encarando gente que nunca vimos na vida, com apenas 2 canais de entrada e a responsabilidade de fazer aquela reunião de pessoas se transformar numa festa, iniciando gente no mundo da noite, sabemos o que é ter poder nas mãos, literalmente.
Então, quando falo de responsabilidade, estou falando de algo maior. Estou falando do papel e da influência que este profissional pode vir a ter sobre pessoas normais, que no seu dia a dia disputam um assento no ônibus para encarar não sei quantas horas diárias entre o trabalho, os estudos e sua casa.
É gente do povo, gente que sofre, que engole sapo pra manter o emprego, gente que tem necessidade.
Necessidade de sobreviver, de comer, de cultura, de amigos, de esperança.
Essa gente é que é o povo brasileiro.
Eu não estou falando de quem teve acesso e faz parte dos 2,5% ou dos 12% da população brasileira.
Eu estou falando da massa, que procura, enxerga e absorve dos pequenos grandes ícones da cena brasileira os seus ideais e valores de vida.
E incluam aí, nestes ícones, os artistas, esportistas e pessoas da mídia em geral, onde NÓS DJ’s também estamos inseridos.
Quando eu penso em formação do profissional eu não consigo imaginar como o fato do indivíduo saber operar um mixer, um cd ou até mesmo um dispositivo mais sofisticado, como um software de computador, pode fazer de alguém um DJ.
Pelo que entendo até aí o que temos é um operador de máquina, um peão.
Então é preciso muita cautela (e responsabilidade) por parte de quem critica a necessidade de tal organização e de critérios de avaliação da capacitação do aspirante a profissional.
Espero debater com a diretoria atual do SINDECS nos próximos dias, para sugerir uma nova estratégia de comunicação que consiga transpassar a atenção dada os polêmicos debates que giram ao redor de detalhes menores desta iniciativa, que é a regulamentação da profissão DJ.
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